HISTÓRIA DO SAN DIEGO

Durante muito tempo, quando uma pessoa falava em rugby, não apenas em Porto Alegre, como em várias outras regiões do Rio Grande do Sul e até  mesmo do resto do Brasil, poucas eram as chances de o ouvinte conhecer este esporte; talvez por ser muito pouco conhecido pelos brasileiros, ou por de certa forma ele estar ofuscado pelas glórias que o futebol tem trazido para seus cidadões. O fato deste problema atrapalhar na expansão cultural do rugby nestes locais servia apenas para estimular as pessoas apaixonadas por esse esporte a tentar expandir o conhecimento que tinham ao máximo de amigos que pudessem. Pois eles sabiam que no momento em quem alguém entrasse em contato com o rugby não apenas iria inserir em sua vida mais um esporte, mas também uma cultura totalmente diferenciada da que nós brasileiros estamos acostumados. Esse era o pensamento que tinham em mente dois treinadores que, com nada mais que dez jogadores e mais ou menos 300 metros quadrados de “grama”, iniciaram o San Diego Rugby Club.

 No início do ano de 2006, um grupo de antigos, e futuros, jogadores de rugby começou a se juntar todas as terças, quintas e sábados em um pequeno campo para tanto praticar e expandir as suas técnicas de rugby, como para fortalecer as amizades que haviam sido criadas 3 ou 4 anos antes. As poucas pessoas que assistiam os primeiros treinamentos nunca teriam imaginado a evolução pela qual aquele pequeno grupo iria passar. É claro que alguns dos participantes tinham uma idéia clara na cabeça: a de que aqueles indivíduos de pouco em pouco passariam a crescer em quantidade até chegarem em um número razoável para poderem melhorar suas aptidões o quanto desejavam; por outro lado, alguns eram um tanto pessimistas e iam poucas vezes aos treinos, achando que aquilo não iria muito longe e não deveriam desperdiçar seu tempo no que achavam que era uma bobagem. Pouco a pouco os treinos foram ficando mais sérios e mais desafiadores, exigindo sempre um pouco mais de cada jogador, apesar disso a média de pessoas por treino dificilmente passava de quinze. Não abatido com as estatísticas, o San Diego fez as suas duas primeiras viagens. Com o intuito de fortalecer o desenvolvimento do rugby no Estado, o San Diego viajou para Canela, para jogar contra o conhecido Guará Rugby Clube, e para a cidade de Caxias, apoiar a evolução doSerra Rugby Clube, que, como nós,  tinha sido criado a pouco tempo.

Para uma primeira experiência do San Diego como um time de rugby, o jogo contra esses dois times foi um tanto quanto necessário, pois para um time que recém tinha começado os seus trabalhos a única viagem da qual tiraria um bom proveito era para um lugar perto, onde os seus treinadores poderiam fazer em sua mente uma espécie de esqueleto do time que mais tarde iria percorrer vários quilômetros de distância para enfrentar os adversários mais diversos. Saímos de amobs os jogos vitoriosos não somente no placar, mas também como grupo de jogadores. Com esse primeiro passo dado, seria muito mais fácil para o time ficar cada vez mais unido no decorrer dos próximos desafios.

Com o número de jogadores crescendo cada vez mais, não nos contentamos com um pequeno espaço de grama e de barro para continuarmos com os nossos treinos. Com a mente sempre aberta aos investimentos necessários para a evolução da nossa forma de jogo e do nosso melhor condicionamento físico, os treinadores decidiram por dar um passo a mais, talvez considerado no primeiro momento como pequeno, mas que depois seria tomado como de maior valor pelos jogadores, reconhecendo como o que era necessário para o estopim do San Diego como clube em si.

Sendo assim, ainda no primeiro semestre de 2006, os treinos de sábado passaram a acontecer no Complexo Esportivo da PUCRS - Pontifícea Universidade Católica do Rio Grande do Sul -, onde se foi alugado um campo que, apesar de muitas reclamações de alguns jogadores com o fato de ele não ter mais grama do que areia, foi utilizado com muito louvor pelo clube durante muito tempo. Com um campo com mais espaço para se treinar e se preparar fisicamente, o time decidiu investir um pouco mais nas viagens e em adversários que iriam necesitar um pouco mais de habilidade, de garra, de união e de entrosamento dos nossos atletas. Dessa vez iríamos para Buenos Aires, Argentina, umas das capitais do rugby Sul-Americano.

Apesar de parecer ousadia da nossa parte irmos para um lugar onde o rugby é  jogado e conhecido com tanta naturalidade quanto como o futebol é  para os brasileiros, em vez de pensarmos nisso, pensávamos somente no que seria de interessante e extraordinário sermos o primeiro time do Brasil a jogar um amistoso na Argentina, contra times conceituadíssimos neste país. Para nós, um time que na época estava completando não muito mais do que 3 meses de existência, era simplesmente espetacular. Participaram desta viagem cerca de 10 jogadores, acompanhados por seus dois treinadores, Jorge Silvestrini e Diego Díaz; todo o grupo foi agradavelmente recebido por duas extraordinárias pessoas, sr. e sra. Díaz, pais de Diego. Nossa estadia em Buenos Aires não podia ter sido a melhor, além de termos jogado partidas fantásticas, de termos desfrutado o máximo conhecendo boa parte da cidade de Buenos Aires, ainda tivemos uma rara oportunidade de presenciar um clássico internacional no estádio do time de futebol Velez Sársfield: Pumas x All Blacks. Duas seleções que participam da Copa do Mundo de Rugby e que nos propuseram um excelente espetáculo rugbístico.

Participamos de dois amistosos enquantos estávamos visitando a Argentina, contra dois times que sem dúvida merecem respeito de nós do San Diego: San Patricio e San´t Gregory. Ambos os times nos receberam com total alegria, tendo si mesmos como no mínimo interessante jogar contra um time brasileiro; também treinamos com o time do San Patricio antes do amistoso, e depois, como de costume, ficamos no seu estabelecimento para jantar e conversar com os jogadores do time adversário. Foram trocados presentes entre os dois clubes como forma de amizade, e se algum dia alguma pessoas estiver visitando Buenos Aires e decidir passar pelo salão de fotos, de troféus e de camisetas de times que o pessoal do San Patricio tem nos seus murais de exibição, verá pendurada na parede deles uma camisa verde e preta, representando o Rio Grande do Sul e o Brasil, nos fazendo sempre poder relembrar fisicamente dessa viagem fabulosa.

Ao voltarmos para Porto Alegre, não podíamos estar mais entusiasmados com o futuro que nos vinha a frente. Afinal, depois de participarmos de uma viagem que lembraríamos pelo resto de nossas vidas, a idéia de melhorarmos o nosso rugby, tecnicamente falando, e voltarmos outro ano para poder enfrentar novamente os os times contra os quais jogamos seria mais inequecível ainda. Sendo assim, não deixamos de nos esforçar nos treinos como fazíamos nos primeiros meses do ano, e tão pouco desvalorizávamosos jogos que eram considerados de menor dificuldade por serem contra times que não tinham a mesma qualidade técnica que os da Argentina.

©‎ 2006 San Diego Rugby Club                                                                                                                     feito por Sandro Freitas